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  INSTABILIDADE LOMBOSSACRA EM CAES - ASPECTOS RADIOGRÁFICOS
por Bárbara Pereira Dias, Paulo Abílio Lisboa e Ricardo Brandão
Data: 25/08/2004
"A estenose lombossacra ou instabilidade sacral tem sido relatada em cães com síndrome medular lombossacra e diagnosticado pelo exame radiológico simples da região..."

INTRODUÇÃO
A estenose lombossacra ou instabilidade sacral tem sido relatada em cães com síndrome medular lombossacra e diagnosticado pelo exame radiológico simples da região. O auxílio radiológico na clínica de pequenos animais cresceu consideravelmente nas duas últimas décadas. A necessidade de diagnóstico nesse segmento veterinário e os avanços no diagnóstico por imagem tem possibilitado diagnosticar casos clínicos buscando a melhoria na conduta clínico-terapêutica e prognóstico do animal.A instabilidade lombossacra ocorre quando existe um deslocamento ventral do sacro, S1, em relação a epífise caudal de L7.

Recebe outras denominações como síndrome da cauda eqüina, compressão da cauda eqüina, espondilose lombossacra e malformação ou ma- articulação lombossacra. Acomete cães de grande porte de meia idade a idosos e sua incidência é maior em raças como pastor alemão, boxer, retriever do labrador e rottweiler. As alterações envolvendo o segmento lombossacro variam de acordo com a conformação anatômica lombossacra e a movimentação na junção discovertebral.O diagnóstico diferencial incluem as afecções neurológicas (discoespondilite, neoplasia, mielopatia degenerativa, neurite da cauda eqüina e anomalias congênitas), afecções ortopédicas (coxoartrose, displasia coxo-femoral e ruptura do ligamento cruzado) e prostopatias.Animais acometidos podem apresentar sinais clínicos como dor na região lombossacra, incoordenação dos membros pélvicos, claudicação e incontinência urinária e ou fecal.

Geralmente, as manifestações clínicas são de aparecimento súbito de progressão lenta apresentando um quadro clinico incerto especialmente quando acomete cães portadores de displasia coxofemoral.O presente trabalho teve como objetivo realizar o exame radiográfico simples com radiografias convencionais sob estresse da região lombossacra de canino macho idoso boxer com suspeita clinica de doença do disco intervertebral e ou espondiloartrose procurando determinar a contribuição do exame radiográfico na clinica de pequenos animais e no estabelecimento do diagnostico da instabilidade lombossacra.

MATERIAL E MÉTODOS
O estudo radiográfico simples foi realizado no serviço de diagnostico por imagem da Clinica Veterinária – Promove Botafogo Rio de Janeiro em canino, macho, boxer de seis anos de idade com suspeita clinica de doença de disco intervertebral e ou espondiloartrose.Para a realização do exame radiográfico do segmento lombossacro da coluna lombar estudos lateral e ventrodorsal são empregados. O feixe central deve ser direcionado ao nível da terceira vértebra lombar e deve incidir em ângulo reto no chassi em estudo lateral. No estudo ventrodorsal o plano mediano deve estar alinhado perpendicularmente ao chassi, os membros posteriores devem ser estendidos sobre a mesa e ligeiramente abduzidos.

Neste caso o feixe central deve incidir em ângulo reto no chassi na altura da quarta vértebra lombar. O paciente foi submetido a exames radiográficos da coluna vertebral lombossacra em estudo lateral e ventrodorsal com a finalidade de avaliar anormalidades neste segmento. No decúbito lateral foram realizadas três radiografias sendo uma com os membros pélvicos em posição neutra outra em ventroflexão e outra em dorsoflexao.

No decúbito dorsal foi realizados uma radiografia com os membros pélvicos estendidos tracionados e rotacionados medialmente com o cuidado de preservar as articulações sacroiliacas coxofemorais e femorotibiopatelares.A analise radiográfica seguiu o protocolo de avaliação que leva em consideração os seguintes itens presença de vértebra transicional fusão ou não do processo transverso com o sacro ou íleo espondilose vertebral ventral dorsal e lateral diminuição do espaço intervertebral calcificação do disco intervertebral degeneração das articulações sacroiliacas displasia coxofemoral e coxoartrose.

As radiografias foram realizadas em equipamento radiográfico com capacidade operacional de 100 Mas e 90 Kvp, colimador, chassi 24x30, com écran terras raras, filme base verde e revelação manual.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
O animal apresentava-se com pouca disposição em movimentar-se, atrofia da musculatura glútea, diminuição da propiocepção em membro posterior esquerdo,polaquiuria com bexiga repleta sugerindo quadro de incontinência falsa. Os achados radiográficos evidenciaram presença de perda da topografia anatômica radiográfica do segmento vertebral entre L7 e sacro sugerindo processo de sacralização de L7 com reação periosteal entre L7 e sacro compatível com processo de espondiloartrose e instabilidade lombossacra.

Observou-se ainda grande distensão vesical compatível com a patologia em questão. Foram excluidas a presença de fusão do processo transverso com sacro e ou íleo, vértebra transcional e calcificação de disco intervertebral.  As alterações biomotoras e neurológicos encontrados são compatíveis com os descritos na literatura. As afecções do segmento lombossacro podem estar presentes em cães sem evidencia clínica da doença e determinam um quadro clínico incerto que deve ser avaliado junto com exame ortopédico, neurológico e radiográfico.As radiografias convencionais são um método de diagnóstico rápido simples e de baixo custo que promove uma ampla avaliação do segmento lombossacro.

Os estudos radiográficos sob estresse ajudam a avaliar a extensão e a característica do movimento na região lombossacra. A exata função desta modalidade de imagem para diagnosticar estabilidade lombar esta ainda incerta. Compartilha-se a idéia de que na ventroflexão, o canal vertebral fica alargado e na dorsoflexão ocorre estreitamento no seu diâmetro. O sistema esquelético presta-se muito bem a investigação radiográfica devido a sua morfologia de matriz óssea fornecendo opacidade radiográfica contrastante com os tecidos circunjacentes.

A resposta do osso a patologias ou injúrias é refletida na opacidade mineral, podendo a mesma apresentar-se diminuída ou aumentada, em reações periosteais, nas alterações de padrão trabecular e de tamanho e contorno. Alguns autores defendem a idéia que o exame de excelência para o diagnóstico da instabilidade lombossacra é a tomografia computadorizada porém fica evidente que o exame clínico  em conjunto com estudo radiografico criterioso é capaz de diagnosticar esta patologia.








 

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