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  LEUCEMIA VIRAL FELINA
por Dra. Fabiana de Paula
Data: 18/06/2007
"Felina, SRD, fêmea, de 7 meses de idade deu entrada na clínica Promove após procedimento de castração em outra instituição pois apresentava linfonodos submandibulares infartados..."


RELATO DE CASO

Felina, SRD, fêmea, de 7 meses de idade deu entrada na clínica Promove após procedimento de castração em outra instituição pois apresentava linfonodos submandibulares infartados. Animal encontrava-se com bom estado geral. Iniciou-se antibioticoterapia e 14 dias após o início do tratamento os linfonodos encontravam-se normais, porém, animal apresentou-se com mucosas hipocoradas. Hemograma revelou pancitopenia (anemia, leucopenia e trombocitopenia). Diante de tal quadro, a suspeita clínica seria de virose e após novo exame de sangue constatou-se que animal era portador do vírus da leucemia felina (Felv). Iniciou-se então tratamento com homeopatia, Interferon, Zidovudina e complementação vitamínica. Vinte dias após o início do tratamento, animal ainda apresentava anemia e trombocitopenia. Um novo exame 2 semanas depois revelou piora da anemia (9% de hematócrito) e um pequeno aumento no número de plaquetas. Recebeu então uma aplicação de decanoato de nandrolona com ótima resposta (16% de hematócrito 15 dias após a aplicação).

Seu hemograma atual apresenta anemia e trombocitopenias discretas. Clinicamente o animal encontra-se com ótimo estado geral.

SAIBA MAIS SOBRE A FELV
A leucemia viral felina (Felv) é causada por um retrovírus que leva a uma variedade de desordens neoplásicas e degenerativas, incluindo linfomas, sarcomas, imunodeficiência e doenças hematopoiéticas.

A doença acomete tanto felinos domésticos como selvagens e não há qualquer ligação entre o vírus da leucemia felina e qualquer doença humana, entretanto é prudente evitar-se o contato de recém-nascidos e pessoas imunodeficientes com gatos infectados.

O vírus está disseminado por todo o mundo, mas sua prevalência varia em cada localidade. Os gatos de rua são considerados os mais susceptíveis à infecção.

O reservatório natural do vírus é o gato assintomático persistentemente virêmico, que pode eliminar até um milhão de partículas virais em cada mililitro de saliva, podendo excretar o vírus por meses ou até anos antes de adoecer. A transmissão ocorre comumente nos atos de lamber e morder entre os felinos, pois a maior concentração viral está presente na saliva, entretanto, também pode ocorrer infecção transplacentária ou transmamária.

Os gatos expostos ao vírus podem responder de várias maneiras: podem neutralizar o vírus através de uma resposta imune que pode durar períodos indeterminados; pode ocorrer viremia persistente; latência, em que não há resposta imune, mas o vírus fica "escondido" e não se replica, ou ainda o vírus pode ser seqüestrado no tecido epitelial onde se replica, mas não consegue atingir outros sítios devido a produção de anticorpos.

Aproximadamente 23% dos gatos infectados desenvolvem doenças neoplásicas e 77% não neoplásicas. Os sinais clínicos de gatos positivos são atribuídos às síndromes clínicas, que ocorrem em função dos efeitos específicos do vírus ou devido às infecções secundárias oportunistas. Esses variam enormemente, dependendo do tipo de doença e dos órgãos envolvidos. Os gatos doentes podem comumente apresentar-se com mucosas pálidas, dispnéia, letargia, anorexia, emagrecimento progressivo, febre, gengivite/estomatite, uveíte (invasão linfossarcomatosa no trato uveal), diarréia e abscessos que não cicatrizam.

As doenças neoplásicas mais comuns associadas à Felv são linfomas, fibrossarcomas e as doenças mieloproliferativas.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SOUZA, Heloisa Justen M. de. Coletâneas em medicina e cirurgia felina. Rio de Janeiro: LF Livros, 2003. 475p.








 

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